Quando é que descobrimos onde e a quem pertencemos?
Não acredito no amor eterno (à excepção do que tenho pela minha família e amigos) nem nas histórias do «felizes para sempre», por isso, acho que fica um bocadinho mais difícil saber qual é o meu lugar aqui no Mundo.
Creio que, embora pareça um pouco egoísmo da minha parte, todos nascemos e morremos sozinhos. São os laços que criamos com as pessoas com quem nos relacionamos ao longo da vida que transformam a nossa estadia aqui pela Terra. Consequentemente, as nossas atitudes mudam de alguma forma as pessoas que nos rodeiam, e vice-versa. E assim temos um círculo vicioso. Podes não conseguir mudar o Mundo, mas se praticares o bem junto das pessoas que te rodeiam, verás que poderás pelos menos mudar um pouco o seu mundo. Sinceramente, tento fazer isso todos os dias.
Pensando bem, de há dois anos para cá, acredito no amor incondicional. Aquele que nos faz ver a vida em outras perspectivas, como nunca ousámos sequer imaginar. Aquele que nos faz querer mudar tudo para termos um Mundo melhor. Aquele pelo qual faríamos qualquer coisa para que esse amor permanecesse para sempre inalterável. Por quem daríamos tudo para ver o seu sorriso no rosto. Aquele amor que, mesmo sabendo que não é recíproco, jamais diminuirá ou se transformará.
Jamais esquecerei os teus primeiros dias de vida, jamais esquecerei as tuas expressões faciais quando ainda nem falavas (sempre te expressaste com o olhar), jamais esquecerei as nossas brincadeiras ou maneira como me fazias sentir amada, pois acredito que as crianças não mentem. Jamais sentirei menos amor por ti, mesmo quando não quiseres estar comigo ou quando cresceres e eu for demasiado velha para te acompanhar. És o meu amor incondicional, o meu amor sem barreiras, quem me faz chorar, quem me faz rir, mesmo que não faças a mínima ideia disso. Claro que não fazes ideia. És tão pequeno. Um dia serás crescido e talvez eu já não faça parte da tua vida mas tu sempre farás parte da minha. Tenho de te agradecer por me teres ensinado o que é o amor incondicional. Um dia terei os meus filhos, mas o teu lugar no meu coração permanecerá para sempre inalterável.
No dia em que decidi sair, sabia que ia perder o laço que nos unia.
Sabia que me ias esquecer.
Sei que sempre teremos o nosso ADN,
mas eu não acredito que esse seja o laço mais importante.
A confiança, o companheirismo, o amor, o carinho, o respeito e todos os afectos, brigas ou brincadeiras que se tem no dia-a-dia são muito mais importantes do que qualquer papel ou sangue a dizer que sou tua tia e ponto. Graças a estas novas tecnologias, temos o Skype e podemos falar de vez em quando, mesmo não estando a tia tonta ao pé de ti. Sei que não é a mesma coisa, mas pelo menos posso ver-te, ver como estás crescido, saber do teu dia, saber das tuas birras e teimosias. Pedir que me dês um beijo através do monitor. Cantar umas canções ou dizer umas tontices. Sei que jamais teremos o relacionamento próximo que teríamos se estivesse por perto, mas a tia tinha que sair. A tia tinha que procurar o seu lugar no Mundo. Não sei se alguma vez o encontrarei, mas pelo menos sei que tentei. Sei que o nosso lugar é junto das pessoas que mais amamos, mas por vezes temos que nos afastar para poder ver a vida numa outra perspectiva.
Obrigada meu pequeno por me fazeres descobrir o amor.
Espero que um dia te possa retribuir tudo de bom que já me deste ao longo destes tão curtos dois anos de vida.
Que os teus papás tenham muita saúde e força para te acompanharem nesta jornada da vida ensinando-te a amar e ajudando-te a apanhar as pedras que encontrarás no teu caminho. Eu também estarei por aqui, perto ou longe, estarei sempre disponível para ti.
17 seconds of peace
17 seconds to remember love is the energy behind which all is created
17 seconds to remember all that is good
17 seconds to forget all your hurt and pain
17 seconds of faith
17 seconds to trust you again
17 seconds of radiance
17 seconds to send a prayer up
17 seconds is all you really need
by Smashing Pumpkins