sábado, 14 de maio de 2016

Trivialidades

Escrever uma carta.
Beber café com um amigo.
Manter contacto por e-mail, 
dando conta das novidades que acontecem na tua vida, 
das músicas que passam no teu Ipod ou dos livros que lês.
Dar um beijo a alguém.
Receber um abraço.
Começar um livro.
Ouvir música nova.
Conversar com um amigo sobre o que te vai na alma 
sem medo de julgamento (mesmo sabendo que devias ser repreendida).
Ouvir sobre os problemas de alguém.
Marcar uma viagem.

Coisas que mudam a vida de qualquer ser humano.

O que é português é bom






terça-feira, 19 de abril de 2016

what a beautiful Mess



and what a beautiful mess, this is
it's like taking a guess
when  the only answer is yes




quarta-feira, 29 de julho de 2015

Home

I'm a phoenix in the water
A fish that's learnt to fly
And I've always been a daughter
But feathers are meant for the sky
So I'm wishing, wishing further
For the excitement to arrive
It's just I'd rather be causing the chaos
Than living at the sharp end of this knife

With every small disaster
I'll let the waters still
Take me away to some place real
'Cause they say home is where your heart is set in stone
It's where you go when you're alone
It's where you go to rest your bones
It's not just where you lay your head
It's not just where you make your bed
As long as we're together, does it matter where we go?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

À procura de um lugar no Mundo

Quando é que descobrimos onde e a quem pertencemos?
Não acredito no amor eterno (à excepção do que tenho pela minha família e amigos) nem nas histórias do «felizes para sempre», por isso, acho que fica um bocadinho mais difícil saber qual é o meu lugar aqui no Mundo.
Creio que, embora pareça um pouco egoísmo da minha parte, todos nascemos e morremos sozinhos. São os laços que criamos com as pessoas com quem nos relacionamos ao longo da vida que transformam a nossa estadia aqui pela Terra. Consequentemente, as nossas atitudes mudam de alguma forma as pessoas que nos rodeiam, e vice-versa. E assim temos um círculo vicioso. Podes não conseguir mudar o Mundo, mas se praticares o bem junto das pessoas que te rodeiam, verás que poderás pelos menos mudar um pouco o seu mundo. Sinceramente, tento fazer isso todos os dias.

Pensando bem, de há dois anos para cá, acredito no amor incondicional. Aquele que nos faz ver a vida em outras perspectivas, como nunca ousámos sequer imaginar. Aquele que nos faz querer mudar tudo para termos um Mundo melhor. Aquele pelo qual faríamos qualquer coisa para que esse amor permanecesse para sempre inalterável. Por quem daríamos tudo para ver o seu sorriso no rosto. Aquele amor que, mesmo sabendo que não é recíproco, jamais diminuirá ou se transformará.

Jamais esquecerei os teus primeiros dias de vida, jamais esquecerei as tuas expressões faciais quando ainda nem falavas (sempre te expressaste com o olhar), jamais esquecerei as nossas brincadeiras ou maneira como me fazias sentir amada, pois acredito que as crianças não mentem. Jamais sentirei menos amor por ti, mesmo quando não quiseres estar comigo ou quando cresceres e eu for demasiado velha para te acompanhar. És o meu amor incondicional, o meu amor sem barreiras, quem me faz chorar, quem me faz rir, mesmo que não faças a mínima ideia disso. Claro que não fazes ideia. És tão pequeno. Um dia serás crescido e talvez eu já não faça parte da tua vida mas tu sempre farás parte da minha. Tenho de te agradecer por me teres ensinado o que é o amor incondicional. Um dia terei os meus filhos, mas o teu lugar no meu coração permanecerá para sempre inalterável.

No dia em que decidi sair, sabia que ia perder o laço que nos unia.
Sabia que me ias esquecer. 
Sei que sempre teremos o nosso ADN,
mas eu não acredito que esse seja o laço mais importante. 
A confiança, o companheirismo, o amor, o carinho, o respeito e todos os afectos, brigas ou brincadeiras que se tem no dia-a-dia são muito mais importantes do que qualquer papel ou sangue a dizer que sou tua tia e ponto. Graças a estas novas tecnologias, temos o Skype e podemos falar de vez em quando, mesmo não estando a tia tonta ao pé de ti. Sei que não é a mesma coisa, mas pelo menos posso ver-te, ver como estás crescido, saber do teu dia, saber das tuas birras e teimosias. Pedir que me dês um beijo através do monitor. Cantar umas canções ou dizer umas tontices. Sei que jamais teremos o relacionamento próximo que teríamos se estivesse por perto, mas a tia tinha que sair. A tia tinha que procurar o seu lugar no Mundo. Não sei se alguma vez o encontrarei, mas pelo menos sei que tentei. Sei que o nosso lugar é junto das pessoas que mais amamos, mas por vezes temos que nos afastar para poder ver a vida numa outra perspectiva. 

Obrigada meu pequeno por me fazeres descobrir o amor. 
Espero que um dia te possa retribuir tudo de bom que já me deste ao longo destes tão curtos dois anos de vida.
Que os teus papás tenham muita saúde e força para te acompanharem nesta jornada da vida ensinando-te a amar e ajudando-te a apanhar as pedras que encontrarás no teu caminho. Eu também estarei por aqui, perto ou longe, estarei sempre disponível para ti. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O dia mais pequeno do ano..


Na terra do fogo e do gelo, o dia mais pequeno do ano é mesmo pequeno. Só tem cerca de cinco horas de luz solar e ver o sol é uma sorte que eu tive o prazer de aproveitar. No passado dia 22 de Dezembro de 2014, o sol foi de pouca dura, mas o dia (ainda que pequeno) esteve lindo. Eram 15h20 quando deixei de ver o sol da varanda da nossa mansão, mas o céu estava limpo e excepcional, por isso pude aproveitar. Depois dos tons creme que se pode ver na fotografia, vieram os tons rosa, que com rapidez se transformaram nos tons azuis e cinza e, por fim, a noite chegou. Pelas 17h00, nada se via além das estrelas num céu azul escuro. 

Quando o dia mais pequeno do ano é assim...

Várias vezes me perguntam porque é que deixei o calor de Portugal e vim para estas terras frias, onde está escuro tanto tempo. A resposta é simples e geralmente a mesma para toda a gente: 
não sei. 

Sei que queria conhecer o país e a melhor forma de o fazer 
é estar por algum tempo a morar cá.
Sei que foi a melhor escolha que podia ter feito. 
Sei que o interesse pela Islândia começou com o jogo Conhecer a Europa
que o meu padrinho me deu quando eu era bem pequena. Fiquei fascinada com o nome da capital.
Sei que há momentos em que a quietude desta terra me dá uma paz de espírito que nunca pensei conseguir apenas por estar no meio da Natureza. 
Sei que se olhar pela janela e o céu estiver limpo vou ver apenas cavalos no meio da neve.
Sei que se o tempo não estiver bom e não puder ver um palmo à frente dos olhos 
terei apenas de esperar uns dez minutos e tudo estará diferente.
Sei que posso sair de casa e deixar a porta aberta sem qualquer tipo de receios 
de que alguém virá vandalizá-la. 
Sei que, se precisar de algo, tenho aqui o vizinho para me ajudar, ou que alguém aparecerá. 
Sei que a qualquer momento posso sair da quietude e ir para a (não muito) movimentada Reykjavik.
Sei que mesmo nesta quietude também podem haver festas.
Sei que estou a gostar.
Não sei porquê, quando ou como aconteceu, mas algo me cativou.
E não há dias pequenos, neve, frio, chuva ou vento que me abalem, pois a lista de pontos positivos é interminável. 

Claro que também há pontos negativos, mas esses estão por todo o lado, não só por aqui.

domingo, 26 de outubro de 2014

A arte de viver a vida

Muitos dizem que viver a vida significa estar com a família e com as pessoas que amam, divertir-se numa noites de borga com os amigos, ter saúde, poder dar uns passeios ou mesmo aproveitar o presente, sem pensar no passado ou no futuro. Eu acredito que viver a vida se baseie no acumular experiências/vivências. Não devemos nunca descuidar da saúde, da família, dos amigos e das pessoas que nos são próximas, pois sem elas não tem a mesma graça. 

Será que alguma vez se dá valor ao que dizem ser viver a vida? 
Será que é possível viver em plenitude quando se rege a vida mediante regras impostas pela sociedade em que estamos inseridos? 
Será que alguma vez olhamos para trás e pensamos que «se morresse hoje, morria sem arrependimentos, porque vivi com amor, em liberdade e segundo os meus ideais»? 
(que eu nunca me esqueça destas perguntas)

Muitos vivem apenas a vida dos outros, segundo os interesses impostos pela sociedade, sem nunca fazer realmente aquilo que lhes «dá na gana». Não condeno, nem posso considerar que sejam pobres de espírito ou infelizes, pois vivem a vida mediante as suas escolhas, e quem sabe, talvez até sejam bem felizes. Mas a verdade é que quem nunca provou uma framboesa, nunca poderá saber o quão saboroso esse pequeno fruto pode ser. Se nunca tiverem vontade de arriscar experimentar algo novo, nunca saberão o que há para lá do seu mundinho. E as suas experiências deixam de ser interessantes e estimulantes para passarem a ser apenas rotina. É o que a sociedade exige de nós: rotina, acomodação, sedentarismo, viver para trabalhar e trabalhar para pagar dívidas. 

Tudo passa. Tudo se renova. Tudo se transforma. A efemeridade da vida é surpreendente. Apanha-nos sempre de surpresa, mesmo quando acontece o inevitável. A vida deve ser vivida intensamente, aproveitando todos os pequenos momentos de felicidade e todos os momentos de tristeza, mas acima de tudo, vivendo as alegrias. Saboreando tudo ao sabor do vento.

Respeita-te, respeita o próximo, vive a vida fazendo o que te «dá na gana» e não ligues a estas tretas!!! ;)

in vino veritas

Deixa que as palavras se soltem, que a conversa flua e que a mente se desiniba. Vive mediante as tuas convicções e não segundo ideais dos teus antepassados.

Que o sentido de Justiça nunca falhe e que a verdade não me doa.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Um dia acordarás

Um dia acordarás num quarto novo
sem saber como foste para lá
e as vestes que acharás ao pé do leito
de tão estranhas te farão pasmar,
a janela abrirás, devagarinho:
fará nevoeiro e tu nada verás...
Hás de tocar, a medo, a campainha
e, silenciosa, a porta se abrirá.

- Não te assustes de mim, que sofro há tanto!
Quero chorar
- apenas - no teu ombro
e devorar teus olhos, meu amor...


Mário Quintana

sábado, 10 de setembro de 2011

o que vale um dia numa vida

«Foi para mim um dia memorável, pois exerceu sobre mim grandes mudanças. Mas o mesmo sucede em qualquer vida. Imagine eliminar-lhe um determindado dia e pense no quão diferente o seu curso teria sido. Detenha-se, você que lê isto, e pense por um longo momento nas longas cadeias de ferro ou ouro, de espinhos ou flores, que jamais o teriam aprisionado, não fosse a formação do seu primeiro elo nesse dia memorável.»
De Charles Dickens em Grandes Esperanças

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
 
José Régio

quarta-feira, 27 de julho de 2011

17

17 seconds of compassion
17 seconds of peace
17 seconds to remember love is the energy behind which all is created
17 seconds to remember all that is good
17 seconds to forget all your hurt and pain
17 seconds of faith
17 seconds to trust you again
17 seconds of radiance
17 seconds to send a prayer up
17 seconds is all you really need

by Smashing Pumpkins

quarta-feira, 6 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Há gente que espera de olhar vazio
na chuva, no frio, encostada ao mundo
a quem nada espanta
nenhum gesto
nem raiva ou protesto
nem que o sol se vá perdendo lá ao fundo

há restos de amor e de solidão
na pele, no chão, na rua inquieta
os dias são iguais já sem saudade
nem vontade
aprendendo a não querer mais do que o que resta

e a sonhar de olhos abertos
na paragens, nos desertos a esperar de olhos fechados
sem imagens de outros lados
a sonhar de olhos abertos
sem viagens e regressos
a esperar de olhos fechados
outro dia lado a lado

há gente nas ruas que adormece
que se esquece enquanto a noite vem
é gente que aprendeu que nada urge
nada surge
porque os dias são viagens de ninguém

a sonhar de olhos abertos
nas paragens, nos desertos
a esperar de olhos fechados
sem imagens de outros lados
a sonhar de olhos abertos
sem viagens e regressos
a esperar de olhos fechados
outro dia lado a lado

aprende-se a calar a dor
a ternura, o rubor
o que sobra de paixão
aprende-se a conter o gesto
a raiva, o protesto
e há um dia em que a alma
nos rebenta nas mãos

by Mafalda Veiga e John Peter's Father

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

TOPO

o melhor bataclan de todo o sempre ainda aguarda por um post à sua altura. Muito bom... de TOPO!
É verdade que a companhia nunca falha, mas este bar/tasco/.../bataclan é mesmo muito bom

beijos e abraços

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

bataclan

 O Bataclan é uma "Sala de espetáculo" na XIe arrondissement de Paris.
Foi construído em 1864 pelo arquiteto Charles Duval. O seu nome refere-se a Ba-Ta-Clan, uma opereta de Offenbach.

O Bataclan é conhecido hoje por um programa bastante eclético de eventos, incluindo shows de rock e pop, espetáculos, stand-up comedy, discotecas e café-teatro. Sua fachada foi pintada na sua há muito perdida cores originais em 2006, embora seu telhado pagode original não existe mais.
MENTIRA

Bataclan (que tem para mim um significado pejorativo) é o bar/casa imunda onde hoje me diverti à brava.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

há coisas que não mudam


e é bom que o Pedrocas continue a fazer músicas bonitas. =)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

6 billion others

6 billion others by Yann Arthus Bertrand

Aconselho...

O projecto que me fez parar várias vezes diante do ecrã.
Família, medo, sonhos de infância, amor, felicidade... Os pontos de vista de milhares de pessoas das mais diversas culturas.

Está na hora de voltar a casa, para ficar junto de quem não é preciso dizer nada porque they know who I am.

domingo, 19 de dezembro de 2010

«- Continuo a dizer: arranja um quarto pequeno e escreve.
- MAS EU PRECISO DE SEGURANÇA!
-  Ainda bem que alguns não pensam assim. Ainda bem que o Van Gogh não pensava assim.
- O IRMÃO DO VAN GOGH OFERECIA-LHE AS TINTAS! - respondeu o miúdo.»
Em Correios de Charles Bukowsky

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

a lucidez no manicómio

Hoje, estava no Centro de Saúde de Alvalade, que fica no Júlio de Matos, e entrou um casal, ele com 88 e ela com 85. O senhor entrou primeiro, a senhora vinha com o filho, que cuidadosamente a deixou junto da sala onde viria a ser consultada e saiu. O senhor tratou de marcar a consulta, e, uma vez terminada a tarefa, sentou-se longe do olhar da esposa, que teimava em ir para junto dele (mas sem sucesso, pois as pernas não a deixavam andar). E então começou o diálogo (ou monólogo, ele nem deixava responder), do qual retive as seguintes frases:
«- A velhice é muito bonita até um certo ponto. Só quando chegamos à dependência física perde toda a beleza.»
«- Gosto muito dela, mas ela está a dar cabo dela e vai dar cabo de mim.»

Eu ouvia o senhor e pensava que era espantosa a naturalidade com que ele aceitava a velhice, encarando-a como uma coisa simultaneamente bonita e destruidora. Pois a verdade é que o que a velhice tem de belo tem em dobro de destruidor. A franqueza do senhor fez-me pensar como é bonita a construção do amor e como essa construção pode surgir apenas da cumplicidade entre duas pessoas.

A velhice é a etapa da vida em que se percebe que é possível construir o amor, inclusive com pessoas de quem não gostamos, pois todo o resto é nada.

hoje lembrei-me...

... do «acomodador»

«Existe sempre um acontecimento nas nossas vidas que é responsável pelo facto de termos parado de progredir. Um trauma, uma derrota especialmente amarga, uma desilusão amorosa, até mesmo uma vitória que não entendemos bem, acaba por fazer com que nos acobardemos e não sigamos em frente. O feiticeiro, no processo de crescimento dos seus poderes ocultos, tem de se livrar primeiro deste “ponto acomodador”, e para isso tem de rever a sua vida e descobrir onde está.»
Em Zahir de Paulo Coelho

E como descobrimos onde está o ponto acomodador?

domingo, 12 de dezembro de 2010

a relíquia da noite

- Vamos sair?
- Pra onde? Hoje não nos mexemos...
- Não sei. Bora. Já disse à Frazoa. Vamos beber um copo.
- Ok.

Depois de um dia/noite de trabalho já nem sempre se sabe se apetece sair ou não, mas este «vamos sair?»  tinha um sentido que não havia amigo que não o reconhecesse. Uma simples pergunta como «vamos sair?» pode esconder variados significados, mas este era bem perceptível. Em vez de ouvir uma interrogativa com duas pequenas palavras, ouvi um texto afirmativo, infindável, que se resume a isto: «Vamos dar uma volta porque estou triste e ficar em casa não me fará bem.»

E para este tipo de perguntas apenas uma coisa se pode responder: Ok. Não é preciso perguntar onde (logo se verá onde a noite nos leva), quando (assim que sair encontramo-nos), como (venham-me buscar, hoje não sou eu quem quer falar) ou porquê (os amigos não precisam de saber tudo, precisam apenas de estar presentes... e estando presentes, de olhos abertos, saberão o motivo do porquê).

Come-se um pão com chouriço («- Poça, Sónia. Tens sempre fome e depois não comes nada.»), deambula-se, bebe-se um copo e voltamos para casa.

Nem sempre o relevante é dito em voz alta, principalmente quando estamos com pessoas que nos querem bem. O que importa é estarmos presentes, ter uma conversa trivial, dizer duas ou três asneiras, sonhar que podemos fazer isto e aquilo, chorar, ter uma conversa mais séria, rir e fazer rir para depois voltarmos a casa. Descansados, com uma agradável paz de espírito. E dormir.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Coconut Skins


porque...

...no conforto do tédio lembramo-nos de coisas quase esquecidas
e porque é bom ouvir boa música cantada por pessoas que vivem música.

Sintomas de conforto

«Talvez o tédio seja um dos castigos da masculinidade, sim. As mulheres resistiam ao velho tédio do século XIX como resistem às neuroses do século XXI. Ambos são sintomas de um conforto que ainda não as contagiou.»
Em Os Íntimos de Inês Pedrosa

Sintomas de conforto :)
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.


Fernando Pessoa

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ouvir uma música é como ler um livro: conta-se uma história. Cada história tem a sua quota-parte de verdade e de ficção, apelando ao nosso imaginário. Pode ser contada de várias formas mas para cada pessoa terá um significado diferente, singular. Porém, há um ponto em que a música prevalece: quando é possível contar uma história sem ser dita uma única palavra.

a música é mais do que uma sucessão de sons e silêncios organizada ao longo do tempo

Um indígena africano toca uma melodia na sua flauta de bambu. O músico europeu terá muito trabalho para imitar fielmente a melodia exótica, mas quando ele consegue enfim determinar as alturas dos sons, ele está certo de ter reproduzido fielmente a peça de música africana. Mas o indígena não está de acordo pois o europeu não prestou atenção suficiente ao timbre dos sons. Então o indígena toca a mesma ária noutra flauta. O europeu pensa que se trata de uma outra melodia, porque as alturas dos sons mudaram completamente em razão da construção do outro instrumento, mas o indígena jura que é a mesma ária. A diferença provém de que o mais importante para o indígena é o timbre, enquanto para o europeu é a altura do som. O importante na música não é o dado natural, não são os sons tais como são realizados, mas como são intencionados. O indígena e o europeu ouvem o mesmo som, mas ele tem um valor totalmente diferente para cada um, porque as concepções derivam de dois sistemas musicais inteiramente diferentes; o som na música funciona como elemento de um sistema. As realizações podem ser múltiplas, o acústico pode determiná-las exactamente, mas o essencial na música é que a peça possa ser reconhecida como idêntica.

Nattiez

sábado, 27 de novembro de 2010

VIVE LA FRANCE!


Yann Tiersen

Liberté, Egalité, Fraternité!

Eugène Delacroix   La liberté guidant le peuple